Os programas televisivos, como novelas, telejornais, seriados, desenhos animados, noticiários, shows e outros, podem ser utilizados na sala de aula para introduzir ou aprofundar conteúdos e para discutir valores e comportamento humanos e dos animais em geral.
A televisão (TV) é um artefato cultural que se bem analisado e considerado no planejamento das aulas pode ser trabalhado sala de aula como um recurso pedagógico a favor do ensino e da aprendizagem. De acordo com Paola Gentile (2006), esse artefato midiático “usa ação, imagens e sons especialmente selecionados para prender a atenção da garotada. Ajuda na formação de memórias de longa duração. É capaz de desenvolver a imaginação dos jovens, e as histórias que ela conta são tema de conversas e debates acalorados entre eles”.
Para que se alcance êxito no uso da TV como recurso pedagógico, Pereira e Guimarães (2010) sugerem que se questione o seu alcance e objetivos, que estratégias de veiculação ela se utiliza e a quem ela se endereça. Ou seja, não é só utilizá-la, é necessário que ocorram aprendizagens e percepções críticas sobre seus conteúdos. Uma vez que sua estrutura básica está alicerçada na divulgação de fatos e imagens, reais ou criados por seus idealizadores.
A TV é um meio de comunicação de massa que possibilita ao telespectador visualizar o que é noticiado ou narrado, é possível, também, reconhecer quem fala através dela e de onde se fala. O seu uso não deve ser inocente ou isento de um olhar crítico por parte do professor.
O olhar da mídia, pensar o olhar da mídia e o nosso olhar em relação às suas imagens passa por esta expe¬riência de deixar-se tocar por imagens que de algum modo tocam as pessoas, no sentido de abrir-se ao que nelas ‘dá a pensar’, ao que nelas é fixado como experiência desejável ou negado como experiência possível. (FISCHER, 2008. Apud. PEREIRA; GUIMARÃES, 2010, p. 124).
Esse recurso, tão presente no cotidiano dos nossos alunos, tem perdido terreno para outros artefatos midiáticos, como o computador e a internet, porém é o instrumento de comunicação mais utilizado como fonte de lazer dos brasileiros (GENTILE, 2006). Nessa perspectiva, levar a TV para a sala de aula implica ensinar os alunos a vê-la com olhar crítico. “O fundamental é fazê-los entender que a televisão não é uma ‘janela para o mundo’ como gostam de caracterizar os mais entusiasmados. ‘Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade e não a realidade’ (GIRARDELLO. Apud. GENTILE, 2006).
Neste sentido, ao pensarmos numa educação integral e integrada para os processos de ensino e de aprendizagem das ciências da natureza, não podemos descartar a “possibilidade de ampliação dos espaços e tem¬pos para uma análise mais primorosa das intrínsecas relações que nos con¬stituem (e também aos estudantes), a partir da incorporação dos produtos da mídia nas práticas pedagógicas” (PEREIRA; GUIMARÃES, 2010, p. 124).
No uso da TV, como recurso pedagógico, é possível visualizar o trabalho interdisciplinar. Quando analisamos as várias linguagens que estão sendo operadas na produção dos programas veiculados por ela, percebemos os links possíveis de serem feitos entre as várias áreas do conhecimento. Como, por exemplo, o trabalho desenvolvido pela professora Simone de Godoy Cuchera, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Egon Schaden, em Francisco Morato, município da Grande São Paulo. Ela recorreu à TV para tratar de trabalho infantil com sua turma de 4ª série. A turma leu o Estatuto da Criança e do Adolescente e assistiu a reportagens dos programas Fantástico e Globo Repórter, da TV Globo (GENTILE, 2006).
A pesquisa, sobre o trabalho infantil no Brasil, orientada por esta professora resultou em uma representação de um telejornal feita pelos seus alunos. Esta é a ideia de um uso crítico da TV, não é apenas para reprodução ou para que os alunos fiquem quietos, é para a produção autônoma de novos conteúdos a partir daqueles vistos nela.
Estamos o tempo todo per¬meados/subjetivados por essa mídia, que traduz relações bem demarcadas. Apesar da importância desse reconhecimento, se faz necessário também, nesta proposta, um trabalho pedagógico com a possibilidade ampla de sus¬citar uma série de significações (construídas por nós, a partir da mídia), o que poderia nos trazer um entendimento e um olhar crítico dos produtos da mídia, a partir dela mesma (PEREIRA; GUIMARÃES, 2010, p. 125).
Para que o uso da TV alcance os objetivos estabelecidos no planejamento, é necessário cumprir algumas etapas:
1. Gravar o programa e selecionar as cenas que serão exibidas aos alunos, fazendo o recorte dentro dos seus objetivos.
2. Propor exercícios e atividades relacionadas ao vídeo: eles não podem ser exibidos como se fossem autoexplicáveis.
3. Checar a qualidade da imagem e do som.
4. Parar a exibição sempre que necessário para comentários ou explicações.
5. Pedir para os alunos anotarem as cenas mais importantes, as falas e os detalhes mais marcantes.
6. Rever as cenas mais importantes.
7. Observar as reações do grupo para voltar aos pontos da exibição que a turma mais se deteve (GENTILE, 2006, 2006).
A característica mais marcante da TV é que ela veicula temas atuais. Com isto, o seu uso pedagogicamente pode atualizar os conteúdos dos livros didáticos ou mesmo oferecer material que ainda não está neles. Este e outros benefícios devem ser considerados no seu uso, bem como devem ser analisados possíveis malefícios que os pais/responsáveis atribuam ao seu uso nas aulas, tais como: exibição de programas não autorizados; usá-la para tampar a falta de um professor; uso excessivo ou sem planejamento.
Observados todos os pontos positivos e/ou negativos do uso da TV como recurso pedagógico, resta-nos questionar quais as relações possíveis há entre esse artefato da mídia e a educação. Ao refletirmos sobre essa questão, o uso da TV será posto a favor da produção de conhecimentos por parte do professor e de seus alunos.
REFERÊNCIAS
GENTILE, Paola. Liguem a TV: vamos estudar. Revista Nova Escola. Edição 189, jan/fev. 2006. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/liguem-tv-vamos-estudar-431451.shtml. Acesso em: 02/09/2010.
PEREIRA, Patrícia B; GUIMARÃES, Leandro B. O ensino-aprendizagem das Ciências da natureza com vistas à educação integral e integrada. In: MENDONÇA, Mercês P. C. (coord.). Curso Educação Integral e Integrada. Volume 2. Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação – CEPAE. Goiânia: UFG/Funape/Ciar, 2010, p. 115-126.
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